Há muito tempo a Enseada de Imbituba foi palco da história do município. As características sociais e ambientais perderam sua configuração original nas últimas décadas. O motivo foi a alavanca do crescimento econômico, a partir da década de 70, que provocou mudanças drásticas sociais e espaciais. Afinal, onde localiza a tortuosa história da Enseada de Imbituba?
Antes de responder, vamos contextualizar a história da enseada e região. Até a década de 60, a enseada concentrava uma população de agricultores e pescadores. A armação baleeira de Imbituba prosseguia a matança, mas com o declínio econômico do óleo de baleia e a quase extinção delas na costa catarinense, as portas fecharam somente em 1973. Conforme relatos dos moradores, as baleias mortas permaneciam por alguns dias até o seu processamento, provocando um mau cheiro de carniça, que piorava com a presença do vento nordeste. Por outro lado, a praia era pacata e mantinham uma economia de subsistência.
O início da década de 70, ocorreram grandes investimento no porto e implantação da Indústria Carboquímica Catarinense ( ICC), dominando o cenário do município e região. Principalmente a enseada, onde moradores foram deslocadas (formação de Vila Nova Alvorada, popularmente Divinéia), grandes depósitos de resíduos industriais a céu aberto, desconfiguração geológica da orla marítima, concentração de esgoto na praia. Tudo isso são consequências visíveis atualmente. A de ressaltar, que os empreendimentos naquela época não previam o estudo e relatório de impacto ambiental, caso contrário os empreendimentos não sairiam do papel.
A pacata praia que suportou os impactos agressivos perdeu até sua identidade, atualmente é conhecida como Praia do Porto. Infelizmente as garras da ampliação do porto e a sua representatividade econômica foram suficiente para apagar da memória de um povo o seu real nome, a Enseada de Imbituba. Ainda podemos encontrar o nome original em cartas geográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cartas náuticas (n.º1908) e relatos de moradores antigos. Para muitos imbitubenses é desconhecida a informação, até mesmo pelo mapa do município e alguns livros da área de história.
Aparentemente há uma aceitação involuntária e desconhecimento do real nome da praia. A imponente estrutura encravada em pedras e areias soa ares de posse e submissão econômica da população. Há de pensar que a praia pertence ao porto? Ou, deve-se buscar o nome original da enseada? Independente das respostas, a verdadeira busca são as identidades e valores de um povo passado, que sobreviveu da terra e do mar, que olhava para enseada como uma fonte de alimento e ao mesmo tempo como meio de lazer, simplesmente não devem ser esquecidas e desvalorizadas.
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